quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O projetor de marcas

mad


Passaram-se 2 meses desde que comecei a escrever esse post. Porque tanto tempo? A resposta é "Mad Men"! Por muito tempo vi posts e comentários sempre falando bem dessa série, chegava a ver os primeiros episódios e desistia, a idéia de passar o dia todo dentro em uma agência e depois ingressar em outra nas horas vagas, mesmo sendo a Sterling Copper, não me agradava muito, mas ora bolas eu falo sobre product placement e de certa forma não é lazer, assistir séries também é trabalho, então tomei folego e passei 5 episódios grudada na tela... por fim não quis mais parar.
Uhnnn Don Draper... eu diria que boa parte da culpa do vírus Mad Men é dele, com tanto charme, mistério e um "ziriguidum" americano de passar mal não tem como fugir, adicionamos as histórias e tropeços da Sterling Copper e sua turma, torna-se então viciante.
Alguns episódios são mais maçantes, principalmente na quinta temporada, mas com roteiro bem montado e que retrata bem as mudanças políticas e sociais de exatos 10 anos, entre 1960 e 1970, a ascenção e dificuldades da mulher moderna, transições políticas que movimentaram o mundo, até o homem chegou a lua nessa época. Realmente foi um período transitório e merecia uma série que trouxesse de volta a memória à quem viveu e conhecimento histórico para os mais jovens. Trouxe também temas polêmicos, como o quão já era comum o tabagismo e alcoolismo, ou o adultério e o moralismo, racismo e homofobia, o movimento feminista, temas que são atuais e discutidos até hoje.
E no meio de tantos acontecimentos essa tornou-se, para mim, a série que mais trouxe produtos e marcas para a tela, afinal estamos falando de uma agência de publicidade, que cria oportunidades naturais para abrir espaços e apresentar marcas ao longo da história, tornando-se assim um alvo fácil para atrair patrocínios e portas abertas para product placement. Mas temos um problema aí, como falar de produtos e marcas atuais em tempos tão distantes?
Pois é possível sim! E Mad Men alcançou muita visibilidade com produtos que praticamente não são mais comercializados, porém a marca ainda existe e isso automaticamente remete ao sendo comum do mercado atual, trazendo o consumidor mais perto do seu produto como se inconscientemente o mesmo já associasse a modernidade dos novos produtos à tradição que a marca traz. Um exemplo clássico é a cena que Don apresenta uma campanha de lançamento para o produto Carousel, projetor de slides da Kodak, que foi retratado de forma super emocional no episódio e um produto moderno para a época. O produto praticamente não vende mais, mas quem não conhece essa marca "inovadora desde 1960"!? E assim foi com Kodak, Cadillac, Chevy (GM), Hershey's, Lucky Strike, IBM e até os hotéis Hilton, cada um com seu papel durante as 7 temporadas e sendo incorporado a história como um "personagem" ou item de ligação para o assunto.

"We absolutely have product integration on the show, but you shouldn't know which ones are paid and which ones aren't." - Charlie Collier.

Fiz algumas pesquisas sobre como aplicaram esses produtos, mas pelo jeito é segredo guardado a sete chaves, segundo o presidente da emissora, não teremos como saber quais são as inserções pagas ou não, algumas simplesmente ganharam a divulgação. Por fazer parte do contexto e a necessidade da marca para ilustrar a história alguns produtos foram incluídos e trabalhados nos episódios, mas nem por isso pagaram para estar ali, aparições como Smirnoff, praticamente em todos os escritórios da agência, Zippo que acendeu tantos cigarros ou as marcas citadas em campanhas como Heinz ou Jaguar podem ou não ser patrocinadores efetivos.

"We're open for business, but it's not a situation where we will do anything outside of the authenticity of the show," says Charlie Collier, president of AMC. "I guarantee Don Draper would have loved an iPad, but you'll never see him use one."

Devido a época, cada inserção teve um desenvolvimento diferente na história, o que exigia trabalhar marcas atuais sem fugir do contexto e período retratado, segundo afirmam em entrevista alguns administradores da série, "de fato, não há um posicionamento, mas múltiplas possibilidades de encenação, que satisfaçam objetivos diferentes". Simplesmente rentabilizar não foi a principal preocupação!
Eu passaria mais uns 2 dias falando sobre essa série incrível que conseguiu desenvolver tão bem a mistura roteiro x marcas, personagens incríveis e merecidamente ganhadora de tantos prêmios, enfim teremos mais meia temporada em 2015, depois disso Don Draper vai para o baú da saudade, juntinho de Heisenberg e Jesse Pinkman.