domingo, 16 de fevereiro de 2014

Hello Frank!



Ele está de volta!
A série estreou sua segunda temporada na última sexta, 14/02, e desde ano passado o Netflix deixou os seguidos de Francis Underwood inconsoláveis, porém ele está de volta. Com toda sua ganância, ambição e tramas políticas super envolventes House Of Cards traz novos 13 episódios e, peraí... TODOS já disponíveis no site Netflix para assinantes, pois é, o canal é realmente o que podemos chamar de audacioso!
Diferente de todo mercado de séries que lança episódios semanalmente e alguns inclusive com intervalos entre blocos, exemplo das séries AMC ou NBC, que a cada 8 ou 9 episódios há intervalos de cerca de 1 mês nos inéditos, fazendo com que a temporada dure até 6 meses em séries com mais de 20 episódios, Law and Order SVU ou The Walking Dead por exemplo. O espectador fica “preso” e ansioso por um tempo, gerando comentários, memes de internet, spoilers etc.
A verdade é que quando se trata de Netflix, tudo é sempre uma grande novidade, serviço streaming, custo baixo, plataforma acessível de dispositivos móveis e a sua série com todos os episódios disponíveis de uma só vez! Uma estratégia diferente, porém analisando friamente, o mesmo espectador que espera ansioso pela próxima semana, é o mesmo que permanece durante horas a fio em frente a TV assistindo um episódio atrás do outro sem intervalo comercial. Chegamos a conclusão que a estratégia é segurar o espectador e não fazê-lo esperar.
Em cores desbotadas de cenário e fotografia, o brilho de cada personagem sobressai, numa trama com cordialidades forçadas ou poucos risos comumente políticos, "It’s a bitter chocolate bonbon for people who love to hate Washington", por NYT.  A série consegue unir roteiro inteligente a uma série de inovações, inclusive tecnológicas que antes não eram vistas nesse mercado. Usar a internet para criar um canal que disponibiliza ótimo conteúdo de TV é uma conquista que tempos atrás não era pensada, uma nova realidade para a produção de conteúdo seja ele pago ou simplesmente disponível na net, a verdade é que todo o futuro da TV está ligado a esses novos espaços criados por gente inovadora, encontrar nichos de mercado que podem e devem ser explorados sem medo de fugir do convencional, mesmo que seu assinante assista aos 13 episódios de uma vez, pelo menos por 13 horas seguidas ele esteve preso ali, vendo sua marca e as marcas patrocinadoras em sequencia. É psicologia misturada a inovação!
Entre as 2 temporadas já contratadas em 2013, a estimativa era de US$100 milhões investidos, já na primeira temporada a série foi vencedora de 1 Emmy e mais 6 outros prêmios da TV americana em direção, casting e produção, além de ser uma das maiores audiências em serviço stream. Apesar de não ter intervalo comercial, a série conta com inúmeras aparições de marcas durante o episódios, os product placement, que integrados ao contexto cumprem bem seu papel de investimento da marca.
E aos adoradores de Frank e apaixonados por Claire, a outra novidade boa é que já foi fechada a contratação para a 3ª temporada! WOW...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ambiente e personagem podem ser a chave!



Alguns dias atrás li esse artigo do TelaViva, fiquei pensando em uma das frases de Robert Mckee, professor de escrita criativa e renomado consultor em projetos audiovisuais, foi roteirista de sucessos como a trilogia "Senhor dos Anéis" e Toy Story. Em seu depoimento, sobre a criação de ficção no Brasil, ele disse: “O perfeito seria combinar características locais específicas com histórias humanamente universais. Dessa maneira, o telespectador consegue descobrir novos mundos ao mesmo tempo em que se identifica com os personagens que estão lá!”.
Puxando na memória algumas séries de mais destaque é possível encontrar exemplos que se encaixariam nesse conceito, Prison Break, Revenge, Chicago Fire, CSI e suas versões, Law and Order e variações... claro que cada uma com seu teor excêntrico em dramatização de história e personagem, mas todas ambientadas em bairros e cidades americanas, com personagens que poderiam muito bem ser reais (sem os exageros ala MacGyver, of course!) e algumas dessas chegaram até a 20ª temporada, clara identificação com o público e regionalização das histórias.



Vários amigos falam muito bem de Friends, por exemplo, série que particularmente nunca me conquistou, porém Friends foi um sucesso absoluto chegando a marca de 20.8 milhões de espectadores só nos EUA, um marco na história das séries americanas. Então essa semana recebi uma crítica interessante sobre a série, que falava sobre o quão disfuncional eram os personagens e conduzia uma geração fora da realidade. Apesar de não ser fã da série não diria que isso é correto ou não, acho que o produto Friends como um todo teve seus méritos e cumpriu o papel que busca toda série de TV, trazer telespectadores e mantê-los presos a história. E dessa forma, corretos ou não, Friends fez uma geração e trabalhou com ela durante 10 anos.
Também temos exemplos de séries do estilo HBO, True Blood ou Game of Thrones, que não necessariamente se aplicam a teoria acima, menos mal, porque eu não gostaria de cumprimentar o vizinho vampiro na garagem do prédio ou desviar de um dragão durante a corridinha no Ibirapuera, mas mesmo em roteiros de época, mitológicos ou personagens nada comuns, ainda assim é possível encontrar nas atitudes de cada um desafios e tarefas simplesmente humanas.
Tentar analisar a fundo a frase de Mckee, praticamente seria algo para uma tese de doutorado, o que me impressiona é que realmente ele conseguiu sintetizar muitos dos problemas de roteiro que temos, principalmente no Brasil, em uma frase. Fácil de entender, porém difícil de aplicar!