domingo, 27 de abril de 2014

E quem disse que nós não sabemos fazer?



Sim, já estamos aprendendo! E cada vez que vejo um novo projeto nacional que dá certo consigo acreditar ainda mais que o mercado melhora a cada dia e com bons produtos.
Estou falando da série "Psi" que estreou no dia 23/03. Vi alguns anúncios sobre a série no período, mas confesso que não me interessou, me parecia algo muito estilo "Sessão de Terapia" que eu não era nem um pouco fã, porém com uma bem bolada jogada de programação, a série Psi passa às 21h do domingo, antes de Game of Thrones, ahhh danadinhos esses coordenadores de programação do canal eihnn, inseriram na grade 1h antes da atual maior audiência do canal, portanto quem esperava ansiosamente pelo primeiro episódio de GOT acabou assistindo pelo menos uma parte do quinto episódio de Psi. Grande jogada de horários que, provavelmente, arrebanhou alguns novos espectadores para a série nacional, mas não é que a idéia é bacana... Com um elenco chave de primeira linha e Emilio de Mello dando um show de interpretação, a série consegue ter episódios redondos e com conteúdo, sem aquela pasmaceira de texto sobre texto de Sessão de Terapia. É uma série que mistura um pouco de várias outras, tem a psicanálise como base, mas inclui mistérios, um pouco de ação e a rotina de um psicanalista que acredita que "a normalidade é a patologia mais grave" consegue puxar na memória o contexto de alguns sucessos já conhecidos como House ou Lie to Me, por exemplo. Ambientada na cidade de São Paulo trabalha a rotina de pessoas comuns em uma sociedade caótica, mas que podem esconder patologias que transformam todo o meio em que vivem. Situações que vemos todo dia, porém tratadas por um ângulo mais Freudiano, poderíamos assim dizer.
No contexto geral, uma boa série, com episódios melhores outros não, atores excelentes outros nem tanto, mas um conteúdo gostoso, fácil e que vale a pena assistir.
Mas ainda falta tratarmos de algo importante, o nosso tão falado nesse blog product placement estava lá, como não! É a sensação que a produção nacional começa a aprender a explorar essa mídia da melhor maneira, sem intervenção chata de textos ou aquele merchan escrachado de novelas. Logo  no primeiro episódio fiquei de cara com o plano da gaveta cheia de chocolates Dairy Milk, o mesmo plano usado pela P&G em Homeland para citar a neurose de Carrie quando grávida, por coincidência falei disso no post anterior. Em 6 episódios já conseguiram incluir nomes como Volvo, o carro que Antonini dirige, Nature Magazine que Valentina adora ler  e por aí vai.
E ver que nossas produções estão conseguindo abrir esse espaço e trazer retorno com boas marcas nessa área é um avanço imenso, uma boa série em que esse tipo de inserção funcione agrega outras séries, outros conteúdos e é mais giro de investimento para o mercado. No fim esperamos que Psi seja realmente um sucesso, com outros tantos episódios e temporadas e a cada dia mais conteúdo possa ser criado a partir de boas produções nacionais com o melhor financiamento possível!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Psique com terrorismo, ao ponto por favor.



Ahhh as férias... os dias são poucos, muita coisa pra resolver, mas na medida do possível tento ver todas as séries possíveis. Então finalizando mais uma, vamos falar sobre Homeland!
Muita intriga, suspense, traições, corrupção, terrorismo e muita mas muita conspiração, resumindo a série é isso, porém tem seus méritos e acaba sendo uma série bem psicológica, (amante de Freud #compartilha) a gente passa a maior parte do tempo tentando entender a "psique" de cada personagem.
A história foi bem amarrada nas 2 primeiras temporadas, já a terceira, como toda série americana de sucesso, chega um ponto que a história dá aquela bela exagerada e perde o foco, lembrando inclusive cenas bizarras de 24h com Mr. Sutherland, mas ok ainda assim vale a pena assistir. Podemos dizer que é uma série corajosa, pois expõe um dos maiores temores americanos e ainda divide isso em episódios.
O herói de guerra ou uma ameaça à segurança nacional? Nicholas Brody, o veterano de guerra que não se sabe como e porquê voltou, depois de 7 anos capturado pelo inimigo e dado como morto, é o foco e centro da história, só que não, Brody não é necessariamente o personagem principal, e ai fica a dica pra quem ainda vai assistir, grande parte do contexto gira em torno de Carrie Mathison, uma oficial de operações da CIA traumatizada por não ter impedido o atentado de 2001, que sofre de transtorno bipolar e tem o dom de reconhecer padrões de comportamento... Oi!? É, parece confuso e em cada episódio fica um pouco pior, te deixar confuso é algo que a série faz bem, no fundo o bipolar é quem continua assistindo.
Deixando a bipolaridade humana de lado, podemos falar das sutis inserções do nosso bom e velho product placement, então... parece que não mas ele está lá, afinal durante as 3 temporadas 90% dos personagens usam algum modelo da GM, telefones Apple e Blackberry, câmeras Sony, monitores Lenovo, comunicação via Skype e cosméticos L'oréal, até a P&G achou seu espaço em uma cena de teste de gravidez, aliás essa inserção foi ótima! De repente o plano fecha em uma gaveta de banheiro lotada de "Clearblue" testes de gravidez usados e com resultado positivo, pela quantidade seria uma situação bizarra, mas pensando em todos os problemas psíquicos da personagem torna-se totalmente justificável, a certeza pela quantidade absurda de confirmação. Ação que faz parte de uma série de comunicações de marketing da marca. Não sei quem incluiu a cena, marketing ou roteiro, mas foi um aproveitamento de inserção nota 10!
O bacana é que Homeland foi mais um sucesso com bom roteiro e bons produtos inseridos e a adaptação de Hatufin, série israelense que deu origem a Homeland, deu tão certo que até aqui pelo jeito vão repetir a receita.
E a quarta temporada já está prevista, começa a ser rodada em junho próximo, mas vamos pensar positivo porque depois do final imprevisto da terceira temporada, a missão agora será surpreender muito o público para ganhar força novamente, tomara que consiga e ainda mereça mais alguns Emmy no próximo ano.