Um espaço de pesquisa e análise referente a relação do uso de séries e cinema como um formato publicitário e suas possibilidades no meio TV.
sábado, 9 de agosto de 2014
Medo ou sonho
Gosto de histórias de ficção, terror, suspense, fantasia ou o "realismo surreal" como em The Walking Dead, Vampire Diaries, American Horror Story ou Arquivo X e claro sempre lidei muito bem com mistérios, monstros, assassinos, sangue jorrando, tripas se espalhando, afinal tudo aquilo é roteiro, maquiagem, produção, também sou dos bastidores e já produzi sangue falso, explosões, tiroteios e batidas de carro! Mas definitivamente tive pesadelos com Resurrection, se não pesadelos, mas me peguei sonhando com a mesma situação daqueles personagens... porém sem entrar no mérito pessoal, onde quero chegar é que essa série realmente mexe e ultrapassa os limites do bloqueio intelectual em saber que é só uma história produzida, aquilo não existe, "just entertainment"!
Não tem efeitos especiais, não tem super produção, não tem morto saindo e se transformando em nada... eles simplesmente voltam.
Comparada por alguns críticos como um possível novo Lost, a série de mistérios sobrenaturais Resurrection mostra a rotina pacata de uma pequena cidade do Missouri que é completamente mudada por fenômenos que passam a acontecer, pessoas já falecidas começam a voltar pra cidade, na mesma forma física, memória e com todo contexto dramático de cada núcleo, fazendo com que os personagens passem por sensações jamais imaginadas ou talvez situações que tanto gostariam, a de vê-los de novo. De fato existe uma comoção psicológica no enredo, pessoas queridas que se foram e voltam, dando àqueles que ficaram uma oportunidade de tê-los novamente, torna-se uma fórmula fácil para atingir o público, afinal quem nunca teve alguém que já se foi, alguém que gostaria de reencontrar mesmo que só mais uma vez. Uma série que puxou na essência do ser humano o que ele mais teme, a morte, o fim e a angústia do nunca mais.
Não é uma série que estende-se muito, divida em 8 episódios, trabalha tanto a questão da ficção como o lado emocional, sem misturar espiritualidade pelo menos na primeira temporada, o que particularmente achei de bom grado, acredito que envolver qualquer religião acabaria perdendo a força do mistério. Um elenco bem escolhido que carrega nos personagens a emoção necessária, suspense e mistério bem distribuídos por episódio, tudo na medida certa.
Como se passa na época atual, temos vários ícones que marcam a tecnologia de uma rotina normal da sociedade, smartphones, computadores, sempre com inserções divididas entre as marcas de sempre Iphone, Samsung e Blackberry, alguns personagens usam até aparelhos pessoais diferentes em alguns momento, talvez uma falha de continuidade ou para trocar a marca em cena mesmo, qualquer alternativa seria válida. Houve um showcase bem colocado de Nintendo com Wii e o jogo New Super Mario Bros, o garoto de 8 que volta 30 anos depois e claro precisa aprender que video-games mudaram. Podemos dar destaque também para os carros, sem uma montadora padrão aparecem modelos de todos os gêneros, porém não há muito foco nas marcas, os veículos aparecem mesmo como algo necessário e que faz parte. Apenas uma das cenas que percebi maior destaque quando aparece a frente de um Mini Cooper, ainda não tinha visto esse modelo em outros filmes e séries, um quadro bonito, sem aparecer a marca em si, mas com um enquadramento da lateral dianteira que difere bem o modelo do carro e o torna fácil de identificar. No contexto geral não encontrei muitas inserções notadamente patrocinadas, acredito que para uma primeira temporada a série teve ótimo retorno de público, o que deve arrebanhar alguns patrocinadores a mais para a próxima e então voltamos aqui pra analisar novamente essas mudanças.
Um tiro certo da ABC, a série promete algumas temporadas de sucesso, além de mexer com a memória e o coração de muito telespectador. Então que venha setembro, com o retorno de Resurrection!
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
É meio, meio Frankenstein
Pensa numa série "colcha de retalhos", pega um personagem aqui outro ali, uma cidade pacata, muito sangue, mistério e um pouquinho de cada coisa que fez sucesso em outras séries, agora mistura tudo, roteiriza e produz... voilà... resumimos Hemlock Grove!
Uma série de perfil interessante ou podemos chamar de esquisito!? Meio mistério, meio terror, meio fantasia, meio Frankenstein, meio high tech, no fundo é tudo "meio sem sentido" e com personagens bem complicadinhos... Nesse momento me sinto uma vitoriosa, pois eu venci 23 episódios sem foco nenhum. Porém como nem tudo é perdido algumas características boas chamam mais atenção, como alguns efeitos e a fotografia, tudo bem marcado, diferenciando não só cenários, mas principalmente os núcleos. O fotografo brinca com os filtros, dependendo do núcleo em cena temos tons mais puxados pro cinza, magenta ou verde, o núcleo dos Godfrey, por exemplo, me lembrou filmes dos anos 70 com mais brilho do HD. Gosto disso, só que foi mais visível na primeira temporada, vai ver na segunda estava envolvida na história e passou batido, uhnn acho dificil! Os cenários na verdade eram outros, outras casas, bairros diferentes e o interior da empresa Godfrey apareceu mais vezes com todo aquele branco perturbador. Então, pra mim o branco é igual ao silêncio, seja muito bem justificado ou vira defeito.
Sinceramente, já vi piores, mas já vi também séries muito melhores, inclusive produzidas pelo Netflix, talvez essa tenha sido um ponto fora da curva pra concorrer com American Horror Story, mas pelo jeito ainda precisam melhorar o módulo Suspense de produção.
Lobos, vampiros, humanos tolos, garota-Franke, sexo ou sangue, as vezes não dá pra saber o que aparece mais, e é uma galera que gosta do rala e rola enquanto alguém sai arrancando vísceras na vizinhança, além de tanto sangue espalhado eles também adoram vomitar, eita gente que vomita o tempo todo, caberia até um product placement de Eparema (#ficadica)!
E por falar nisso agora vamos ao que interessa, primeira temporada haja marcas, dá pra se perder na ordem que aparecem, a receita é fácil: série + produção + Netflix = marca na tela de streaming que é a vanguarda da distribuição de conteúdo e entretenimento; porém já na segunda temporada, xiiii...
Partindo das críticas que encontrei e várias opiniões dos fãs de séries Netflix, realmente é visível que o produto não foi muito bem aceito, e claro se eu, mera pesquisadora e espectadora, encontrei críticas destrutivas sobre o programa, óbvio que os patrocinadores encontraram bem mais, a segunda temporada contém algumas inserções mas nada muito relevante ou com marcas novas, mesmo com todo aparato tecnológico explorado nas cenas da empresa Godfrey, somente a Apple (arroz de festa sempre presente) é quem se destaca.
Foi uma diferença bem razoável, sem querer enumerar exatamente, mas no primeiro ano temos inserções de vários segmentos de automóvel a Coca-cola, Apple e outras que passam mais rapidamente. Porém uma das cenas mais curiosas foi essa da foto acima, juro que fui buscar na internet algum whisky, derivado do Jack Daniel's com esse nome e não encontrei, mas a garrafa é igual e o rótulo também. Bom, ou isso foi uma imitação descarada da marca ou eles apenas não queriam se envolver no assunto, mas assim como a série toda, a inserção ficou "meio", meio esquisita!

