
Temporadas mais curtas, episódios mais longos, muito mistério e suspense. São os ingredientes que envolvem a mini série "Sherlock". Sucesso produzido pela BBC de Londres, tem alcançado recordes de audiência no Reino Unido, em sua última estréia chegou a atingir a média de 9.2 milhões de telespectadores.
Com histórias envolventes e roteiro bem amarrado, a série traz muita ação e diálogos bem elaborados, com uma montagem perfeita utiliza signos tecnológicos para facilitar a compreensão das pistas, porém é necessário estar atento aos diálogos e "prólogos" do detetive para não se perder na trama, mas no final tudo sempre se encaixa. O pano de fundo é Londres, assim como nos livros originais de Arthur Conan Doyle, a fotografia e detalhes de arte são bem trabalhados e utilizam tanto a opacidade de cores e objetos, puxando o visual de décadas passadas, como cortes e situações que envolvam tecnologia e cenários mais ricos e remetam a atualidade, portanto é o detetive do livro original vivendo no mundo contemporâneo, uma receita arriscada, mas com ótimo resultado. Claro que não podemos esquecer de falar do elenco, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman, escolhidos com maestria e que deram vida a personagens sem igual, os ricos diálogos que arrancam boas risadas com o sarcasmo peculiar de Sherlock ou a confusão mental do Dr. Watson, apesar de no inicio ter a sensação que o Gandalf ia aparecer a qualquer minuto, isso melhora no final da segunda e terceira temporadas.
Produções e detalhes étnicos a parte algo que me chamou a atenção, e sempre presto muita atenção nisso, são nossas boas marcas, pois aí está a parte interessante, elas estão lá, mas quase nunca aparecem... e por vezes acabam literalmente escondidas em um episódio ou outro, suas inserções são sutis um fato curioso e de análise caso a caso, ou vai ver que depende dos contratos de cada episódio. Os campeões de aparição são os smartphones (Iphone e Blackberry), geralmente em primeiro plano, o que em algumas cenas pode até parecer coincidência, pois usam muita troca de mensagens o tempo todo e em todos os episódios, outra cena interessante é um acesso de raiva de um personagem que da vários chutes numa roda da BMW toda bonita, depois entra no carro e sai dirigindo, quem nunca né! Do primeiro episódio para a segunda temporada é nítido o upgrade de Watson, de um laptop azul anil para a boa e velha maça, WOW... começou a ficar interessante, e durante todo contexto vemos pequenos lances como Dr. Watson lendo The Guardian, jornal real com anúncios reais, (inclusive anúncio do Iphone, pode ser coincidência mas acho difícil) onde tentam basear a série na sensação do real e mantê-lo atual e moderno. Molhos de tomate, latas no balcão da cozinha, caixas do Natwest Bank ou os casacos Belstaff usados por Watson, marcas regionais inglesas que para outros países podem passar despercebidas, mas sutilmente foram inseridas uma a uma de forma que se envolvam no contexto e passem a fazer parte da história ou das características do personagem, somente com o intuito de situar em tempo e espaço as ações do roteiro. Fato ainda mais curioso e que só vi nessa série, as inserções são sutis, porém eles colocaram marcas na abertura... não entendi muito a lógica, mas com certeza era um ponto bem visível no show. Enfim, um viva a mais uma produção (não americana) que usa o product placement de forma sutil e bem aplicada.
Alguns episódios incríveis outros nem tanto, no geral uma série de mistérios que vale as horas em frente ao Netflix e já está em produção para sua 4 temporada, com estréia prevista para janeiro de 2015 vamos esperar o que ainda vem por aí entre mistérios e aventuras da impagável dupla Sherlock e Watson.
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