Um espaço de pesquisa e análise referente a relação do uso de séries e cinema como um formato publicitário e suas possibilidades no meio TV.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O projetor de marcas
Passaram-se 2 meses desde que comecei a escrever esse post. Porque tanto tempo? A resposta é "Mad Men"! Por muito tempo vi posts e comentários sempre falando bem dessa série, chegava a ver os primeiros episódios e desistia, a idéia de passar o dia todo dentro em uma agência e depois ingressar em outra nas horas vagas, mesmo sendo a Sterling Copper, não me agradava muito, mas ora bolas eu falo sobre product placement e de certa forma não é lazer, assistir séries também é trabalho, então tomei folego e passei 5 episódios grudada na tela... por fim não quis mais parar.
Uhnnn Don Draper... eu diria que boa parte da culpa do vírus Mad Men é dele, com tanto charme, mistério e um "ziriguidum" americano de passar mal não tem como fugir, adicionamos as histórias e tropeços da Sterling Copper e sua turma, torna-se então viciante.
Alguns episódios são mais maçantes, principalmente na quinta temporada, mas com roteiro bem montado e que retrata bem as mudanças políticas e sociais de exatos 10 anos, entre 1960 e 1970, a ascenção e dificuldades da mulher moderna, transições políticas que movimentaram o mundo, até o homem chegou a lua nessa época. Realmente foi um período transitório e merecia uma série que trouxesse de volta a memória à quem viveu e conhecimento histórico para os mais jovens. Trouxe também temas polêmicos, como o quão já era comum o tabagismo e alcoolismo, ou o adultério e o moralismo, racismo e homofobia, o movimento feminista, temas que são atuais e discutidos até hoje.
E no meio de tantos acontecimentos essa tornou-se, para mim, a série que mais trouxe produtos e marcas para a tela, afinal estamos falando de uma agência de publicidade, que cria oportunidades naturais para abrir espaços e apresentar marcas ao longo da história, tornando-se assim um alvo fácil para atrair patrocínios e portas abertas para product placement. Mas temos um problema aí, como falar de produtos e marcas atuais em tempos tão distantes?
Pois é possível sim! E Mad Men alcançou muita visibilidade com produtos que praticamente não são mais comercializados, porém a marca ainda existe e isso automaticamente remete ao sendo comum do mercado atual, trazendo o consumidor mais perto do seu produto como se inconscientemente o mesmo já associasse a modernidade dos novos produtos à tradição que a marca traz. Um exemplo clássico é a cena que Don apresenta uma campanha de lançamento para o produto Carousel, projetor de slides da Kodak, que foi retratado de forma super emocional no episódio e um produto moderno para a época. O produto praticamente não vende mais, mas quem não conhece essa marca "inovadora desde 1960"!? E assim foi com Kodak, Cadillac, Chevy (GM), Hershey's, Lucky Strike, IBM e até os hotéis Hilton, cada um com seu papel durante as 7 temporadas e sendo incorporado a história como um "personagem" ou item de ligação para o assunto.
"We absolutely have product integration on the show, but you shouldn't know which ones are paid and which ones aren't." - Charlie Collier.
Fiz algumas pesquisas sobre como aplicaram esses produtos, mas pelo jeito é segredo guardado a sete chaves, segundo o presidente da emissora, não teremos como saber quais são as inserções pagas ou não, algumas simplesmente ganharam a divulgação. Por fazer parte do contexto e a necessidade da marca para ilustrar a história alguns produtos foram incluídos e trabalhados nos episódios, mas nem por isso pagaram para estar ali, aparições como Smirnoff, praticamente em todos os escritórios da agência, Zippo que acendeu tantos cigarros ou as marcas citadas em campanhas como Heinz ou Jaguar podem ou não ser patrocinadores efetivos.
"We're open for business, but it's not a situation where we will do anything outside of the authenticity of the show," says Charlie Collier, president of AMC. "I guarantee Don Draper would have loved an iPad, but you'll never see him use one."
Devido a época, cada inserção teve um desenvolvimento diferente na história, o que exigia trabalhar marcas atuais sem fugir do contexto e período retratado, segundo afirmam em entrevista alguns administradores da série, "de fato, não há um posicionamento, mas múltiplas possibilidades de encenação, que satisfaçam objetivos diferentes". Simplesmente rentabilizar não foi a principal preocupação!
Eu passaria mais uns 2 dias falando sobre essa série incrível que conseguiu desenvolver tão bem a mistura roteiro x marcas, personagens incríveis e merecidamente ganhadora de tantos prêmios, enfim teremos mais meia temporada em 2015, depois disso Don Draper vai para o baú da saudade, juntinho de Heisenberg e Jesse Pinkman.
sábado, 9 de agosto de 2014
Medo ou sonho
Gosto de histórias de ficção, terror, suspense, fantasia ou o "realismo surreal" como em The Walking Dead, Vampire Diaries, American Horror Story ou Arquivo X e claro sempre lidei muito bem com mistérios, monstros, assassinos, sangue jorrando, tripas se espalhando, afinal tudo aquilo é roteiro, maquiagem, produção, também sou dos bastidores e já produzi sangue falso, explosões, tiroteios e batidas de carro! Mas definitivamente tive pesadelos com Resurrection, se não pesadelos, mas me peguei sonhando com a mesma situação daqueles personagens... porém sem entrar no mérito pessoal, onde quero chegar é que essa série realmente mexe e ultrapassa os limites do bloqueio intelectual em saber que é só uma história produzida, aquilo não existe, "just entertainment"!
Não tem efeitos especiais, não tem super produção, não tem morto saindo e se transformando em nada... eles simplesmente voltam.
Comparada por alguns críticos como um possível novo Lost, a série de mistérios sobrenaturais Resurrection mostra a rotina pacata de uma pequena cidade do Missouri que é completamente mudada por fenômenos que passam a acontecer, pessoas já falecidas começam a voltar pra cidade, na mesma forma física, memória e com todo contexto dramático de cada núcleo, fazendo com que os personagens passem por sensações jamais imaginadas ou talvez situações que tanto gostariam, a de vê-los de novo. De fato existe uma comoção psicológica no enredo, pessoas queridas que se foram e voltam, dando àqueles que ficaram uma oportunidade de tê-los novamente, torna-se uma fórmula fácil para atingir o público, afinal quem nunca teve alguém que já se foi, alguém que gostaria de reencontrar mesmo que só mais uma vez. Uma série que puxou na essência do ser humano o que ele mais teme, a morte, o fim e a angústia do nunca mais.
Não é uma série que estende-se muito, divida em 8 episódios, trabalha tanto a questão da ficção como o lado emocional, sem misturar espiritualidade pelo menos na primeira temporada, o que particularmente achei de bom grado, acredito que envolver qualquer religião acabaria perdendo a força do mistério. Um elenco bem escolhido que carrega nos personagens a emoção necessária, suspense e mistério bem distribuídos por episódio, tudo na medida certa.
Como se passa na época atual, temos vários ícones que marcam a tecnologia de uma rotina normal da sociedade, smartphones, computadores, sempre com inserções divididas entre as marcas de sempre Iphone, Samsung e Blackberry, alguns personagens usam até aparelhos pessoais diferentes em alguns momento, talvez uma falha de continuidade ou para trocar a marca em cena mesmo, qualquer alternativa seria válida. Houve um showcase bem colocado de Nintendo com Wii e o jogo New Super Mario Bros, o garoto de 8 que volta 30 anos depois e claro precisa aprender que video-games mudaram. Podemos dar destaque também para os carros, sem uma montadora padrão aparecem modelos de todos os gêneros, porém não há muito foco nas marcas, os veículos aparecem mesmo como algo necessário e que faz parte. Apenas uma das cenas que percebi maior destaque quando aparece a frente de um Mini Cooper, ainda não tinha visto esse modelo em outros filmes e séries, um quadro bonito, sem aparecer a marca em si, mas com um enquadramento da lateral dianteira que difere bem o modelo do carro e o torna fácil de identificar. No contexto geral não encontrei muitas inserções notadamente patrocinadas, acredito que para uma primeira temporada a série teve ótimo retorno de público, o que deve arrebanhar alguns patrocinadores a mais para a próxima e então voltamos aqui pra analisar novamente essas mudanças.
Um tiro certo da ABC, a série promete algumas temporadas de sucesso, além de mexer com a memória e o coração de muito telespectador. Então que venha setembro, com o retorno de Resurrection!
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
É meio, meio Frankenstein
Pensa numa série "colcha de retalhos", pega um personagem aqui outro ali, uma cidade pacata, muito sangue, mistério e um pouquinho de cada coisa que fez sucesso em outras séries, agora mistura tudo, roteiriza e produz... voilà... resumimos Hemlock Grove!
Uma série de perfil interessante ou podemos chamar de esquisito!? Meio mistério, meio terror, meio fantasia, meio Frankenstein, meio high tech, no fundo é tudo "meio sem sentido" e com personagens bem complicadinhos... Nesse momento me sinto uma vitoriosa, pois eu venci 23 episódios sem foco nenhum. Porém como nem tudo é perdido algumas características boas chamam mais atenção, como alguns efeitos e a fotografia, tudo bem marcado, diferenciando não só cenários, mas principalmente os núcleos. O fotografo brinca com os filtros, dependendo do núcleo em cena temos tons mais puxados pro cinza, magenta ou verde, o núcleo dos Godfrey, por exemplo, me lembrou filmes dos anos 70 com mais brilho do HD. Gosto disso, só que foi mais visível na primeira temporada, vai ver na segunda estava envolvida na história e passou batido, uhnn acho dificil! Os cenários na verdade eram outros, outras casas, bairros diferentes e o interior da empresa Godfrey apareceu mais vezes com todo aquele branco perturbador. Então, pra mim o branco é igual ao silêncio, seja muito bem justificado ou vira defeito.
Sinceramente, já vi piores, mas já vi também séries muito melhores, inclusive produzidas pelo Netflix, talvez essa tenha sido um ponto fora da curva pra concorrer com American Horror Story, mas pelo jeito ainda precisam melhorar o módulo Suspense de produção.
Lobos, vampiros, humanos tolos, garota-Franke, sexo ou sangue, as vezes não dá pra saber o que aparece mais, e é uma galera que gosta do rala e rola enquanto alguém sai arrancando vísceras na vizinhança, além de tanto sangue espalhado eles também adoram vomitar, eita gente que vomita o tempo todo, caberia até um product placement de Eparema (#ficadica)!
E por falar nisso agora vamos ao que interessa, primeira temporada haja marcas, dá pra se perder na ordem que aparecem, a receita é fácil: série + produção + Netflix = marca na tela de streaming que é a vanguarda da distribuição de conteúdo e entretenimento; porém já na segunda temporada, xiiii...
Partindo das críticas que encontrei e várias opiniões dos fãs de séries Netflix, realmente é visível que o produto não foi muito bem aceito, e claro se eu, mera pesquisadora e espectadora, encontrei críticas destrutivas sobre o programa, óbvio que os patrocinadores encontraram bem mais, a segunda temporada contém algumas inserções mas nada muito relevante ou com marcas novas, mesmo com todo aparato tecnológico explorado nas cenas da empresa Godfrey, somente a Apple (arroz de festa sempre presente) é quem se destaca.
Foi uma diferença bem razoável, sem querer enumerar exatamente, mas no primeiro ano temos inserções de vários segmentos de automóvel a Coca-cola, Apple e outras que passam mais rapidamente. Porém uma das cenas mais curiosas foi essa da foto acima, juro que fui buscar na internet algum whisky, derivado do Jack Daniel's com esse nome e não encontrei, mas a garrafa é igual e o rótulo também. Bom, ou isso foi uma imitação descarada da marca ou eles apenas não queriam se envolver no assunto, mas assim como a série toda, a inserção ficou "meio", meio esquisita!
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Uma lista negra até nas marcas
The Blacklist - Uma temporada completa, boa audiência e faltando pouco para a próxima temporada que já é bem aguardada.E a história é bacana, um criminoso procurado, mafioso, contrabandista, estelionatário ou seja lá o que Mr. Reddington realmente é, ele promete entregar diversos terroristas, The Blacklist, com nomes procurados no mundo todo, impondo algumas regras ele envolve a polícia e a detetive Elizabeth Keen, cuja relação envolve um segredo não revelado. Uma série cheia de ação e mistério, tem seus altos e baixos no bom e velho modelo americano de roteiro, mas no geral um bom entretenimento. Já vale a pena só por James Spader que dá um show como sempre, porém sua companheira, Megan Boone, tem toda técnica a interpretação de um abajur, tomara que melhore na próxima temporada.
Esse vai ser um "case" bem interessante, pois em todos os 22 episódios quase não temos marcas visíveis, claro que os de praxe e sempre presentes, Apple, Blackberry e algumas montadoras (BMW, Mercedes etc) estão por lá, aliás foram as inserções mais presentes, a dos carros em cena, mas se compararmos com outras séries que usam cada detalhe de cena pra apresentar uma propaganda essa realmente ficou só na história, um ou outro plano perdido envolve um marca ao fundo. Em alguns momentos percebi até discrição com marcas, em um dos capítulos temos vários adolescentes e uma mesa de almoço onde todas as latas, pacotes e possíveis inserções de alimentos estão desfocadas... ops
Porém com o sucesso da primeira temporada, vamos esperar pela segunda, eu acredito na venda de mais espaços a partir do sucesso inicial, agora algumas marcas talvez passem a apostar mais no case e investir na série, assim veremos no próximo outubro. Tomara que chegue logo!!!
domingo, 20 de julho de 2014
Pesquisa e leitura
Hoje o tema é pesquisa... não terminei nenhuma série por enquanto, apesar de estar assistindo algumas ao mesmo tempo e logo estarei com tema novo, o post de hoje vem apresentar alguns sites e temas interessantes sobre o assunto product e brand placement.
Vídeo bem bacana que conta um pouco a história das aplicações de marca
https://www.youtube.com/watch?v=wACBAu9coUU
Um canal de marcas, site que trabalha somente aplicações de marca e cases interessantes, inclusive possui o prêmio anual Brandcameo, para o filme campeão de inserções de marcas diferentes.
http://www.brandchannel.com/home/?tag=/Product+Placement
A maioria dos livros e mais completos, publicados sobre o tema, são em inglês, existem algumas poucas publicações sobre o assunto em português e grande parte falam sobre inserção em telenovelas, aqueles merchans horrorosos e invasivos que estamos acostumados no Brasil, então pra quem tem interesse teórico no assunto e pouco conhecimento de inglês sugiro os artigos acadêmicos, uma rápida pesquisa no Google é capaz de trazer vários trabalhos acadêmicos de mestrado e doutorado voltados ao tema com ótima base teórica e análise de alguns produtos como The Big Bang Theory ou sucessos do cinema, como Transformers por exemplo, grande campeão de inserção de marcas num único filme.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Um Sherlock do mundo contemporâneo.

Temporadas mais curtas, episódios mais longos, muito mistério e suspense. São os ingredientes que envolvem a mini série "Sherlock". Sucesso produzido pela BBC de Londres, tem alcançado recordes de audiência no Reino Unido, em sua última estréia chegou a atingir a média de 9.2 milhões de telespectadores.
Com histórias envolventes e roteiro bem amarrado, a série traz muita ação e diálogos bem elaborados, com uma montagem perfeita utiliza signos tecnológicos para facilitar a compreensão das pistas, porém é necessário estar atento aos diálogos e "prólogos" do detetive para não se perder na trama, mas no final tudo sempre se encaixa. O pano de fundo é Londres, assim como nos livros originais de Arthur Conan Doyle, a fotografia e detalhes de arte são bem trabalhados e utilizam tanto a opacidade de cores e objetos, puxando o visual de décadas passadas, como cortes e situações que envolvam tecnologia e cenários mais ricos e remetam a atualidade, portanto é o detetive do livro original vivendo no mundo contemporâneo, uma receita arriscada, mas com ótimo resultado. Claro que não podemos esquecer de falar do elenco, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman, escolhidos com maestria e que deram vida a personagens sem igual, os ricos diálogos que arrancam boas risadas com o sarcasmo peculiar de Sherlock ou a confusão mental do Dr. Watson, apesar de no inicio ter a sensação que o Gandalf ia aparecer a qualquer minuto, isso melhora no final da segunda e terceira temporadas.
Produções e detalhes étnicos a parte algo que me chamou a atenção, e sempre presto muita atenção nisso, são nossas boas marcas, pois aí está a parte interessante, elas estão lá, mas quase nunca aparecem... e por vezes acabam literalmente escondidas em um episódio ou outro, suas inserções são sutis um fato curioso e de análise caso a caso, ou vai ver que depende dos contratos de cada episódio. Os campeões de aparição são os smartphones (Iphone e Blackberry), geralmente em primeiro plano, o que em algumas cenas pode até parecer coincidência, pois usam muita troca de mensagens o tempo todo e em todos os episódios, outra cena interessante é um acesso de raiva de um personagem que da vários chutes numa roda da BMW toda bonita, depois entra no carro e sai dirigindo, quem nunca né! Do primeiro episódio para a segunda temporada é nítido o upgrade de Watson, de um laptop azul anil para a boa e velha maça, WOW... começou a ficar interessante, e durante todo contexto vemos pequenos lances como Dr. Watson lendo The Guardian, jornal real com anúncios reais, (inclusive anúncio do Iphone, pode ser coincidência mas acho difícil) onde tentam basear a série na sensação do real e mantê-lo atual e moderno. Molhos de tomate, latas no balcão da cozinha, caixas do Natwest Bank ou os casacos Belstaff usados por Watson, marcas regionais inglesas que para outros países podem passar despercebidas, mas sutilmente foram inseridas uma a uma de forma que se envolvam no contexto e passem a fazer parte da história ou das características do personagem, somente com o intuito de situar em tempo e espaço as ações do roteiro. Fato ainda mais curioso e que só vi nessa série, as inserções são sutis, porém eles colocaram marcas na abertura... não entendi muito a lógica, mas com certeza era um ponto bem visível no show. Enfim, um viva a mais uma produção (não americana) que usa o product placement de forma sutil e bem aplicada.
Alguns episódios incríveis outros nem tanto, no geral uma série de mistérios que vale as horas em frente ao Netflix e já está em produção para sua 4 temporada, com estréia prevista para janeiro de 2015 vamos esperar o que ainda vem por aí entre mistérios e aventuras da impagável dupla Sherlock e Watson.
domingo, 15 de junho de 2014
Marcas na teia

O post está um pouco atrasado, afinal o filme até já saiu do cinema, mas só agora consegui assistir e poder encontrar, com cuidado, a enxurrada de marcas presentes em "O Espetacular Homem Aranha 2" e pensar um pouco sobre tudo que li antes a respeito disso.
O filme é bacana até, efeitos especiais saindo pelo telhado, literalmente, um ator simpático, mas que falta expressão, roteiro bom nunca tem, mas isso a gente já acostumou nesse estilo de filme, porém o que realmente impressiona é a quantidade de marcas, inserções e como elas cansadamente perturbam o filme, pelo menos foi isso que a massa esmagadora das críticas comentou.
É, realmente o cara gosta da Sony, pois ela está por todos os lados! Ora... mas porquê não!? Afinal o que há de tão estranho nisso? Em que momento isso interferiu no enredo?
Quantas pessoas comuns são chamadas applemaníacos por praticamente serem colecionadores de produtos Apple, (e eu me incluo nessa estatística) ou mesmo aquele que tem aversão à maça e compram todas as possibilidade Android, Google ou Windows. Os aficionados por produtos da Nike geralmente tem um guarda-roupa não muito variado, enfim... Somos todos ligados a marcas, àquelas que nos identificam, aquelas que tem a sua cara, ou aquelas que simplesmente atendem ao que você precisa. Esse afinal, é o mundo contemporâneo do consumismo em que vivemos, aquele onde a cada dia as empresas precisam aumentar seu leque de produtos, atender demandas, criar portifólio e simplesmente rentabilizar com isso, e se eles te pegaram pelo gosto, você vai comprar todos os produtos que puder, fato!
Não estou aqui pra defender qualquer marca, mas o que percebo em todas as criticas voltadas ao filme é que o grande problema foi a quantidade de inserções, incomodou ver tanta Sony pra quem usa outras marcas, pois então... sinto muito, azar o seu que se incomoda, para a marca esse buzz instantâneo foi ótimo, porque quem não estava ligado no assunto, passou a prestar mais atenção a isso no filme. Sim, ponto pro product placement instalado e que gerou mídia espontânea, e tudo isso sem intervir no contexto do roteiro, sem incomodar o espectador comum que está ali pela história e efeitos especiais de um carinha que veste collant vermelho saltando de prédio em prédio. É isso que o espectador quer ver, é isso que eles esperam e se houve uma, 2 ou mais inserções 90% da bilheteria pouco se importou e saiu da sala de cinema achando o filme o máximo.
As marcas, essas foram "neuromarticamente" absorvidas uma a uma, para alguns mais outros menos e alguns nem um pouco. Essa é a função do product placement, estar ali o tempo todo e ao mesmo tempo não estar.
domingo, 27 de abril de 2014
E quem disse que nós não sabemos fazer?
Sim, já estamos aprendendo! E cada vez que vejo um novo projeto nacional que dá certo consigo acreditar ainda mais que o mercado melhora a cada dia e com bons produtos.
Estou falando da série "Psi" que estreou no dia 23/03. Vi alguns anúncios sobre a série no período, mas confesso que não me interessou, me parecia algo muito estilo "Sessão de Terapia" que eu não era nem um pouco fã, porém com uma bem bolada jogada de programação, a série Psi passa às 21h do domingo, antes de Game of Thrones, ahhh danadinhos esses coordenadores de programação do canal eihnn, inseriram na grade 1h antes da atual maior audiência do canal, portanto quem esperava ansiosamente pelo primeiro episódio de GOT acabou assistindo pelo menos uma parte do quinto episódio de Psi. Grande jogada de horários que, provavelmente, arrebanhou alguns novos espectadores para a série nacional, mas não é que a idéia é bacana... Com um elenco chave de primeira linha e Emilio de Mello dando um show de interpretação, a série consegue ter episódios redondos e com conteúdo, sem aquela pasmaceira de texto sobre texto de Sessão de Terapia. É uma série que mistura um pouco de várias outras, tem a psicanálise como base, mas inclui mistérios, um pouco de ação e a rotina de um psicanalista que acredita que "a normalidade é a patologia mais grave" consegue puxar na memória o contexto de alguns sucessos já conhecidos como House ou Lie to Me, por exemplo. Ambientada na cidade de São Paulo trabalha a rotina de pessoas comuns em uma sociedade caótica, mas que podem esconder patologias que transformam todo o meio em que vivem. Situações que vemos todo dia, porém tratadas por um ângulo mais Freudiano, poderíamos assim dizer.
No contexto geral, uma boa série, com episódios melhores outros não, atores excelentes outros nem tanto, mas um conteúdo gostoso, fácil e que vale a pena assistir.
Mas ainda falta tratarmos de algo importante, o nosso tão falado nesse blog product placement estava lá, como não! É a sensação que a produção nacional começa a aprender a explorar essa mídia da melhor maneira, sem intervenção chata de textos ou aquele merchan escrachado de novelas. Logo no primeiro episódio fiquei de cara com o plano da gaveta cheia de chocolates Dairy Milk, o mesmo plano usado pela P&G em Homeland para citar a neurose de Carrie quando grávida, por coincidência falei disso no post anterior. Em 6 episódios já conseguiram incluir nomes como Volvo, o carro que Antonini dirige, Nature Magazine que Valentina adora ler e por aí vai.
E ver que nossas produções estão conseguindo abrir esse espaço e trazer retorno com boas marcas nessa área é um avanço imenso, uma boa série em que esse tipo de inserção funcione agrega outras séries, outros conteúdos e é mais giro de investimento para o mercado. No fim esperamos que Psi seja realmente um sucesso, com outros tantos episódios e temporadas e a cada dia mais conteúdo possa ser criado a partir de boas produções nacionais com o melhor financiamento possível!
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Psique com terrorismo, ao ponto por favor.
Ahhh as férias... os dias são poucos, muita coisa pra resolver, mas na medida do possível tento ver todas as séries possíveis. Então finalizando mais uma, vamos falar sobre Homeland!
Muita intriga, suspense, traições, corrupção, terrorismo e muita mas muita conspiração, resumindo a série é isso, porém tem seus méritos e acaba sendo uma série bem psicológica, (amante de Freud #compartilha) a gente passa a maior parte do tempo tentando entender a "psique" de cada personagem.
A história foi bem amarrada nas 2 primeiras temporadas, já a terceira, como toda série americana de sucesso, chega um ponto que a história dá aquela bela exagerada e perde o foco, lembrando inclusive cenas bizarras de 24h com Mr. Sutherland, mas ok ainda assim vale a pena assistir. Podemos dizer que é uma série corajosa, pois expõe um dos maiores temores americanos e ainda divide isso em episódios.
O herói de guerra ou uma ameaça à segurança nacional? Nicholas Brody, o veterano de guerra que não se sabe como e porquê voltou, depois de 7 anos capturado pelo inimigo e dado como morto, é o foco e centro da história, só que não, Brody não é necessariamente o personagem principal, e ai fica a dica pra quem ainda vai assistir, grande parte do contexto gira em torno de Carrie Mathison, uma oficial de operações da CIA traumatizada por não ter impedido o atentado de 2001, que sofre de transtorno bipolar e tem o dom de reconhecer padrões de comportamento... Oi!? É, parece confuso e em cada episódio fica um pouco pior, te deixar confuso é algo que a série faz bem, no fundo o bipolar é quem continua assistindo.
Deixando a bipolaridade humana de lado, podemos falar das sutis inserções do nosso bom e velho product placement, então... parece que não mas ele está lá, afinal durante as 3 temporadas 90% dos personagens usam algum modelo da GM, telefones Apple e Blackberry, câmeras Sony, monitores Lenovo, comunicação via Skype e cosméticos L'oréal, até a P&G achou seu espaço em uma cena de teste de gravidez, aliás essa inserção foi ótima! De repente o plano fecha em uma gaveta de banheiro lotada de "Clearblue" testes de gravidez usados e com resultado positivo, pela quantidade seria uma situação bizarra, mas pensando em todos os problemas psíquicos da personagem torna-se totalmente justificável, a certeza pela quantidade absurda de confirmação. Ação que faz parte de uma série de comunicações de marketing da marca. Não sei quem incluiu a cena, marketing ou roteiro, mas foi um aproveitamento de inserção nota 10!
O bacana é que Homeland foi mais um sucesso com bom roteiro e bons produtos inseridos e a adaptação de Hatufin, série israelense que deu origem a Homeland, deu tão certo que até aqui pelo jeito vão repetir a receita.
E a quarta temporada já está prevista, começa a ser rodada em junho próximo, mas vamos pensar positivo porque depois do final imprevisto da terceira temporada, a missão agora será surpreender muito o público para ganhar força novamente, tomara que consiga e ainda mereça mais alguns Emmy no próximo ano.
domingo, 9 de março de 2014
Até a próxima temporada
Então, enfim, terminei de assistir os novos 13 episódios de "House of Cards". Alguns episódios de tirar o fôlego outros mais político discursivos, mas no geral a série continua com seu suspense e envolvimento muito bem resolvidos. (sobre)
Essa é uma série que além de movimentar muita política, eu diria que tem casos seriamente psicóticos e merece uma profunda análise terapêutica para vários personagens, os principais, Frank e Claire, nem precisa de muito esforço para perceber os sérios problemas psicológicos, sexuais e seja quais tantos outros que ambos tem, ahh tá... por isso se dão tão bem!! É uma possibilidade. Um casal que mora em uma casa transformada em fortaleza, agentes do serviço secreto de um lado pro outro o tempo todo, porém eles não tem empregada, mas quem arruma as camas? Ahhh eles também não fazem refeições, apenas café da manhã. Uhnnn tá... Sem falar no motorista-segurança (Meechum) esse é caso clínico total, tragam a camisa de força. Stamper e sua obsessão, que não sei bem se é pelo Frank ou pela Rachel, o cara é ex-alcoólatra e obsessivo compulsivo. Mr Danton o negão saradérrimo que ninguém sabe o que exatamente ele faz, lobista ou intrigueiro de plantão. Lucas o único que chorou por Zoe Barnes, aquela que tinha um pouco mais de neurônios no lugar, mas quem eu gosto mesmo é do Freddy, aquelas costeletas devem mesmo ser muito boas! Haja análise freudiana para cada personagem maluco dessa história.
Confesso que alguns episódios dessa temporada foram bem surpreendentes, porém o final nem tanto, aliás achei bem previsível mesmo com os imprevistos e as boas manobras do Mr Vice President Underwood.
E entre tantos personagens malucos e reviravoltas empolgantes, algo que me chamou atenção nessa nova temporada foi a aumento da variedade de marcas em product placement nos episódios, claro que as marcas anteriores continuaram existindo, mas com menor intensidade e uma distribuição mais variada. Nessa segunda temporada alguns dos personagens trocaram seu Iphone por um Blackberry, nosso anti herói Frank não jogou mais tanto Playstation e o simulador de Remo quebrou, tadinha da Nike apareceu menos, porém tomou-se mais café Starbucks ou Green Mountain com Dunkin' Donuts, dependia da ocasião, tomaram também bem mais cerveja Stella Artois, também gastaram mais com hotéis Loews, sempre chiquérrimos, e viajaram de American Airlines, entre tantas outras que participaram dessa temporada. O que só demonstra a grande força que um bom conteúdo tem sobre as marcas, a rentabilidade cresce a partir das boas idéias e a divulgação que é possível fazer através dela. E impressionante a maneira simples que conseguem encaixar essas peças pra que façam parte do conteúdo, sem esforço, apenas alinhando os roteiros com a inserção de cada uma, é praticamente o "intervalo comercial" dentro da história.
Agora, a essa fã de House Of Cards só resta esperar a temporada 3, que já está confirmada para 2015, isso se resolverem os problemas com o estado de Maryland, que devido ao sucesso da série revisou os incentivos fiscais do estado concedidos ao Netflix para a produção, os fãs ansiosos torcem para que tudo se resolva e possam voltar a filmar em breve.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Hello Frank!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Ambiente e personagem podem ser a chave!
Vários amigos falam muito bem de Friends, por exemplo, série que particularmente nunca me conquistou, porém Friends foi um sucesso absoluto chegando a marca de 20.8 milhões de espectadores só nos EUA, um marco na história das séries americanas. Então essa semana recebi uma crítica interessante sobre a série, que falava sobre o quão disfuncional eram os personagens e conduzia uma geração fora da realidade. Apesar de não ser fã da série não diria que isso é correto ou não, acho que o produto Friends como um todo teve seus méritos e cumpriu o papel que busca toda série de TV, trazer telespectadores e mantê-los presos a história. E dessa forma, corretos ou não, Friends fez uma geração e trabalhou com ela durante 10 anos.
Tentar analisar a fundo a frase de Mckee, praticamente seria algo para uma tese de doutorado, o que me impressiona é que realmente ele conseguiu sintetizar muitos dos problemas de roteiro que temos, principalmente no Brasil, em uma frase. Fácil de entender, porém difícil de aplicar!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Mas é merchan!?
Se temos a marca, porque não criar a história em torno do produto da mesma maneira que um roteiro comum, mais espaço do mesmo produto, mais interação, mais produto interligado aos personagens, porém achar esses caminhos é a grande chave, um desafio à nova geração de roteiristas.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Explosão Breaking Bad!
Fenômeno, sorte de roteirista, investimento? A receita exata é difícil saber, mas uma coisa é certa, começou, deu certo, atraiu público, o investimento vem seja lá de onde... Produtoras, investidores, publicidade e mesmo sem uma produção luxuosa estilo HBO, The Sopranos ou Game of Thrones com seus merecidos méritos, BB fez história e deixou uma era de ouro do bom roteiro para a TV.
Quando ouvi os ótimos comentários e um turbilhão de gente falando sobre um tal Walter White, que fazia metanfetamina, acho que eu nem sabia direito que droga era essa, num sábado de preguiça resolvi assistir a primeira temporada, passei os finais de semana seguintes agarrada ao Netflix assistindo um episódio atrás do outro!!! Oh God o vírus BB me pegou... e valeu a pena!
História bem montada o bem que se transforma no mal, o herói que vira vilão e vira herói e chega ao ponto de não se saber mais o que ele é de verdade, ao lado dele o viciado, atrapalhado e apaixonante Jesse, uma dupla completamente errada que deu certo, um contraponto que construiu uma história cheia de paixão pelos personagens.
Breaking Bad é a prova que nem só de produções milionárias vive o entretenimento, cenários simples, casa de classe média americana, espaços comuns, muitas cenas no deserto, um elenco enxuto, nada de centenas de figurantes fazendo volume, uma história que se passava na rotina americana e não precisava mais do que isso.
E é isso que falta em muitas histórias hoje em dia, a simplicidade. A capacidade de transformar uma rotina num enredo empolgante, amarrar os fatos de modo que seja possível transformar os personagens e suas atitudes, assim como é a vida de qualquer pessoa, afinal ninguém é a mesma pessoa de 5 ou 10 anos atrás, a aparência muda, as atitudes mudam, a personalidade muda e foi isso que BB conseguiu fazer, e talvez por isso tanta gente se identificou, a sensação de ser nada e de repente ser tudo, ter o poder e o domínio de uma arte como ninguém mais e isso te transforma, e isso muda aquilo que você era. Quem não gostaria de ser Heisenberg por um momento!? Quantos sonhos Walt não fez girar pra tanta gente, não só por dinheiro fácil, mas pelo domínio de algo que só ele fazia tão bem.
Esse é o vazio que BB deixou, o vazio de boas histórias que te fazem pensar não em quem era Heisenberg na série, mas de quantos Heisenbergs e Jesses assistiam pela simples identificação, uma porção de neurônio espelhos se aventurando pela mente dos fãs da série.
Afinal boas histórias podem valer mais que bons figurinos!
E assim tudo começa...
Hoje temos possibilidades tecnológicas incontáveis, muita criatividade disponível e o principal... espaços... algo que até tempos atrás esperávamos o mês de janeiro ansiosos por qual tema seria abordado no período em que a Globo ia lançar sua nova série.
Evoluções de canais na internet, nova lei da TV paga, toda essa mudança girou o mercado e hoje temos mais espaço e o principal, mais "oportunidades". Nosso desafio agora é entender como esse turbilhão de idéias, roteiros e produções se organiza e como podemos aproveitar cada segundo esse mercado que ainda promete crescer muito por aqui!









